Cristina chega em casa numa noite dessas de quinta-feira que acontece meio de supetão, tira seus chinelos e anda descalça pela casa como se essa fosse uma maneira de sentir-se livre, palavra esta que não tem se enquadrado em sua rotina (árdua) de quem está plantando sonhos.
Com os pés sentindo o frio do chão, esquenta no micro-ondas 3 almôndegas ao molho de tomate com ricota e acrescenta três bolinhas de mussarela de búfala, as quais achou, posteriormente, sem gosto, mas necessitava de proteína.
Após satisfazer sua necessidade alimentar, despe-se de suas vestimentas e entra embaixo do chuveiro como quem acredita que essa água jorrando em sua cabeça lhe trará novos ânimos e, porque acreditou, trouxe-lhe mesmo.
Somente após esse ritual, pega seu livro, seus marca-textos, seu abafador de sons e dedica-se aos seus estudos.
A vida de Cristina tem acontecido assim ultimamente, tudo no modo automático, sempre correndo contra o tempo, cada atividade é cronometrada. Cris tem sonhos grandiosos para sua vida, sempre teve. Agora mesmo está vivendo um dos que sonhou há tempos atrás. Cristina consegue alcançar seus sonhos, mas, enquanto está no período do plantio, sempre é afetada pelo medo e, às vezes, pelo desânimo. Logo depois, levanta-se e segue em frente. Não há tempo para se lamentar, só para batalhar.
Cris tem buscado equilíbrio, mesmo sendo este termo algo tão distante de sua personalidade.
E lá está Cristina, deitando-se em sua cama e sonhando com coisas que ela mesma não pode plantar, talvez somente Deus o possa e ela acredita firmemente em que Ele está justamente, neste exato momento, cuidando disso. Então Cris coloca sua cabeça no travesseiro e dorme como se recém-nascida fosse, sem se importar com o mundo caótico que acontece em sua volta, dorme simplesmente.
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