domingo, 24 de abril de 2011

Quando o que sobrou foi o não fazer mais nada

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer." (Clarice Lispector)


Sim, Clarice, eu me cansei de fazer tanto esforço em demonstrar o meu amor e tentar receber um pouquinho de carinho de volta. Fui capaz até de remar um barco pesado sozinha, acredita? Amei com todo o amor que coube em mim e, às vezes, ainda transbordava amor de mim, é tão grande que não cabe aqui dentro. Falei tantas coisas, mudei tantas outras, fiz, aconteci, mas não recebi muita coisa de volta. Não posso negar que recebi carinho e um pouquinho de atenção. Batia inúmeras vezes na porta e ela só era aberta de vez em quando e, logo depois, era fechada de novo. Eu só queria que a porta ficasse aberta o tempo todo, já que a minha escancarou-se há 5 meses atrás e desde então eu não a fechei mais. Sinto-me remando contra a maré, remo, remo e remo, mas não saio do lugar. E não se trata de falta de paciência, porque, milagrosamente, tenho sido a pessoa mais paciente do mundo.
Quero mão dupla, quero retorno, quero ser amada também de uma forma digna. Não adianta sentirem algo por mim e não demonstrarem isso concretamente.
Cansei tanto, Clarice, estou tão desgastada, é difícil demais para a minha mente entender. Então decidi não entender mais nada, quem quer ser entendido, que se explique. Não quero fazer mais nada. Quando alguém estiver disposto a remar comigo, eu volto a remar.

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