Hoje chorei no meio de uma série de leg press. Agora meus olhos têm a mania de ficarem embaçados enquanto converso com alguém, qualquer que seja a conversa. Choro enquanto dirijo e enquanto tomo banho, ah, entro debaixo do chuveiro e choro copiosamente às 7 da manhã. Choro porque lembro a história que não vou mais viver, lembro a pessoa que não mais vai fazer parte da minha vida, não vou mais poder mandar e-mails onde arregaço meu coração e o ofereço numa bandeja, não vou mais conversar durante horas ao telefone, inventando assuntos bobos só pra continuar ouvindo a voz que soa como música clássica aos meus ouvidos. Eu choro porque acabou, porque eu decidi enterrar essa história. Coloquei-a num caixão, velei-a, enterrei-a. Agora sobrou um vazio enorme, uma falta de sentido absurda e uma gigantesca falta de interesse em tudo o mais, que perdeu a cor. Acordo, vou à academia, vou ao trabalho, estudo, vou ao ballet, vou ao mercado, eu vivo, o mundo vive, o sol continua no lugar dele as always, mas vai demorar um tempinho para que tudo volte a ter vida pra mim. Enquanto isso vou gastando minhas lágrimas pelos cantos até que elas acabem. Chorar essa história é a coisa mais digna que já fiz em toda a minha vida porque foram os momentos mais maravilhosos dos meus 26 anos de vida e eles chegaram ao fim.
4 comentários:
Lembrei desse trecho do Caio F.: "Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo."
Eu ando chorando de menos. Algumas vezes eu paro e penso que, se eu chorasse ali, naquela situação, as coisas seriam mais fáceis/menos difíceis, mas a lágrima não sai, ela chega até quase, mas não desce, fica sambando na borda de baixo do olho e volta para dentro.
Acho incrível como sempre existe algum trecho oportuno de Caio F.
Também já tive fases assim como a sua, de as lágrimas secarem. As minhas, eu as chorei tanto que estão acabando e, quando elas acabarem de vez, será mesmo o fim. Isso me assusta demais.
Acho que o que é válido é vivermos de acordo com o demanda do momento e do nosso próprio estado de espírito. Se suas lágrimas não querem sair agora, respeite-as. E se/quando elas quiserem sair, libere-as. É tudo tão mais fácil quando não há pressão, né? Tanto de um lado, quanto de outro. Deixar ser, deixar estar.
Mas é uma coisa que tenho trabalhado, porque as vezes sinto que elas querem mesmo sair, mas mesmo eu abrindo caminho elas ficam tímidas e não saem. Acho que de tanto eu segurá-las aqui dentro agora elas tem medo de encarar o mundo lá fora. E eu grito "sai daqui!", mas elas continuam. Me sinto a personagem da Cameron Dias naquele filme "O amor não tira férias", que ela tenta chorar e não consegue...w
Queria escrever um trecho de Caio F aqui, mas não o encontrei. Ele fala sobre as lágrimas se secarem. Se elas se secaram, então acho que não precisamos forçar um ressurgimento delas, mas se elas ainda existem e "tEm medo de encarar o mundo lá fora", não sei talvez elas precisem de pequenos empurrões, mas tudo vai acontecendo e se encaixando e uma hora elas encontram o caminho da saída... Eu acho.
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