terça-feira, 20 de outubro de 2009

A chuva intensificando meu sentimento de quero-aqui-perto

Não é segredo mais que ultimamente (ou talvez sempre) eu só escrevo quando a corda está apertando o meu pescoço, então venho berrar aqui pra ver se alguém escuta esses meus ruídos inaudíveis. E só eu mesma escuto e já é um grande alívio escutar-me. Está chovendo, o dia tão cinza, tão embaçado, as gotículas de água na vidraça da janela e Ryan Adams cantando e tocando sua gaita maravilhosa aos meus ouvidos. Eu estava dirigindo e me deu um pavorzinho porque os vidros do carro estavam embaçados e o desembaçador não funciona e minha lente de contato está com o grau desatualizadíssimo (fiquei sabendo disso semana passada e ainda estou petrificada em saber que agora tenho 7 graus de miopia, tá e eu sei que a unidade não é grau, mas não me lembro qual é, anyway). Aí vem o Ryan cantando uma música mais agressiva e acho que isso vai me ajudar a botar-pra-fora, as palavras. Eu não sei se é o tempo ou os acontecimentos ou a distância e pode muito ser a chuva, mas hoje me deu uma saudade muito absurda e do tamanho de um mundo inteirinho e nem está cabendo em mim, me explodiu, está saindo pelos meus buracos, está jorrando saudade por todos os lados e se mistura com um sentimento bobo-tão-grande, que, de tão grande, nem cabe em mim também. Sou tão pequena, é assim que me sinto um-pontinho-de-gente-não-sei-quantos-andares-lá-embaixo-da-torre-de-tv. Eu juro que não sou de suspirar, mas até isso eu tenho me tornado. Agora, sem perceber, um suspiro tão sofrido. E dói ficar acreditando que tudo faz parte do meu conto-de-fadas-que-não-existirá-nunca-porque-isso-aqui-é-mundo-real. Talvez fosse melhor um adeus, uma quebra, um nunca mais, estou cansada dos nossos imensos espaços entre cada tchau. E eu tento me acostumar a ficar sem você em cada infinito espaço desses. "Why would you have to be so cute? It's impossible to ignore you" é o que Imogen Heap está cantando pra mim e aquela saudade que eu disse antes está jorrando, você precisa ver como eu pareço um bueiro entupido, jorrando, jorrando e jorrando. A coisa tá feia aqui, meu bem. Se o sol não surgir e as gotículas de água não pararem de embaçar a vidraça da janela e o dia não deixar de ser cinza, eu não garanto integridade, porque sou só pedaços de mim e, assim, não consigo me juntar.

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