segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Inferno astral? Não, obrigada.

Os dias passam rápido e também demoram demais. O coração está tranquilo, cheio de um vazio disfarçado de paz. Parece que não sentir e ter o coração relativamente vazio é paz. Desculpe-me, inventor desse tipo de paz, mas, se for assim, se ela for mesmo esse vazio, não quero ter paz não. Sim, é arriscado fazer esse tipo de afirmação, mas eu tenho mesmo afinidade com o perigo. Estou pulando do penhasco o tempo todo sem saber o que tem lá embaixo.
Eu poderia gritar agora mesmo, fazer uma ligação e falar as 735 palavras que estão presas na minha garganta, que poderiam ser resumidas em apenas 5. Mas dizer as 5 ou as 735 não faz diferença, então opto pelo silêncio falsificado, pelo distanciamento fingido e pelo desgostar gostado.
Hoje eu não faço sentido nenhum, hoje eu sou aspas sem ponto final, hoje eu sou aspas abertas que não se fecharam, hoje eu sou citação inacabada e é assim mesmo, não quero ter fim.
Vou afobada até o figurante dessa novela, grito, esperneio, torno importante o que nenhuma importância tem. Quem sabe assim não vai se tornando importante, importante, importante até que o que realmente importa passe a não importar mais.
Depois vou lá e desfaço tudo o que fiz. Vai-e-vem-vem-e-vai. Enquanto, do lado de fora, tudo é calmo e sereno. 

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