Me deu uma vontade tão grande de ser aquela menina dos anos noventa, com mochilinha de ursinho, all star rosa, calça jeans e uniforme da escola. A menina que cantava as músicas do jota quest super empolgada, que se emocionava com um simples chocolate ganhado no meio da rua de alguém importante ou com uma lapiseira amarela. Hoje me deu tanta saudade de ser essa garota com a franja meio bagunçada porque não a secava com secador, nem usava a chapinha. A menina do sorriso contido e do olhar tímido para os cantos, que escondia o que sentia porque achava que as coisas funcionavam assim. A garota que passava as sextas-feiras à noite em casa, estudando, enquanto a família viajava, mesmo estando na oitava série e nem precisando estudar tanto. A menina que descobriu sua paixão pela dança e tentava ao máximo se empenhar por ela. A garota que só queria um abraço interminável de quem ela gostava. Que gostava calada. Que assistia mtv pela manhã e ia para a escola à tarde e nos fins de semana ia à igreja. A garota que lia a série Cris com tanta esperança de que sua vida seria como a da garota do livro, com tanta esperança de encontrar o Ted do livro e de viver um amor lindo como aquele (com menos enrolação, claro haha). A garota inocente, sem maldade, sem malícia. A garota que fechava os olhos no meio do pátio da escola para procurar uma porta azul em sua imaginação. A garota que tinha um cachorro imaginário como na novelinha adolescente (e o levava para a escola). A garota que sofria pelo casamento dos pais (mas, pelo menos, naquela época, ainda era um casamento). A garota que sentava na varanda por horas olhando o céu, falando com Deus sobre seus sonhos, aqueles que enchiam seu coração e a sua esperança. Essa garota tinha um olhar tão esperançoso, mas, quando essa garota cresceu, esse olhar sumiu, foi ofuscado pelas nuvens negras da vida, ela deixou que isso acontecesse e, hoje, não consegue mais ter esse olhar. E isso é tudo o que ela queria. Esperança. Seu coração endureceu, seus sentimentos se congelaram, seus sonhos morreram. Hoje essa garota é uma menina assustada e todo mundo pensa que ela é uma mulher. Ela é uma criança sentada no canto do quarto chorando porque roubaram seu algodão doce e ela pensava que as pessoas eram do bem, ela descobriu a feiúra do mundo e ela pensava que tudo era bonito. E essa feiúra tem amedrontado tanto essa garotinha. E ela chora sem esperança, com medo de encontrar cada vez mais feiúra na vida, no mundo. Ela está cansada de tudo isso. Ela só queria um lugar bonito para sentar e comer seu algodão doce.
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