Se você olhasse a cena do lado de fora, você veria apenas uma pessoa descendo a escada, dirigindo-se à cozinha, pegando um copo de leite com toddy e retornando ao lugar de onde veio. Mas o cenário interno era diferente. Eu olhava as minhas unhas vermelhas, nossa como elas estão bem feitas e vistosas, com um tom de vermelho que marca. Eu adoro coisas marcantes. Depois eu olhava as louças sujas sobre a pia. Amanhã eu vou lavar todas elas, amanhã eu vou lavar todas as roupas sujas jogadas no chão, arrumar os papéis espalhados sobre essa mesa. Então eu me sentia bem porque, afinal, eu estava dando um sentido à minha vida, um sentido bobo, mas já era algo. Foi então que pensei nas unhas vermelhas vistosas e bem feitas, se eu fizesse tudo isso, elas se estragariam. E eu não posso escolher as duas coisas? Eu quero as unhas bonitas, mas eu também quero um sentido, mesmo que banal, pra minha vida. E eu não posso ter os dois? Por que, quando somos felizes, sempre aparece algo para escolhermos? Não posso apenas ter tudo de que gosto? Eu não quero fazer escolhas. Eu não quero abdicar de algo de que gosto. Mas é assim a vida, Renata, falava manso o meu lado adulto e maduro. E eu respondo, é, a vida é assim, mas eu ainda posso recorrer às luvas, respondia o meu lado mágico e infantil que sempre acha uma solução para os problemas encontrados pelo lado adulto.
[Escrito por mim em setembro de 2007 e, quase 4 anos depois, ainda consegue ser atual]
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