Em dezessete minutos eu preciso estar pronta para ir à academia, porque hoje eu já procrastinei coisas demais, inclusive a aula de local, inclusive a musculação, inclusive meu estudo for all morning long, inclusive eu, inclusive tudo. Mas eu quero escrever porque eu ainda acho que, dessa forma, eu conseguirei colocar pra fora esse alimento mal mastigado que está me deixando doente, com angústia. Eu estou com essa sensação de que deveria estar fazendo algo que não estou, algo pra mim, com relação a mim e com mais ninguém. Eu, eu mesma. Mas eu não sei o que é. Todos os dias frios e chuvosos e cinzas me deixam assim com esse vazio oco com gosto de suco gástrico subindo o esôfago e chegando à boca, suco gástrico com pedaços mal mastigados de tortelete de morango. E eu sei que não é falta de ninguém porque eu sempre afasto com minhas facas internas e espinhos grudados em minha epiderme todas as pessoas que tentam me fazer bem, eu vou lá e as furo imediatamente, furos profundos, que deixam sangue, muito sangue. Afasto mesmo. Ativo meu mecanismo de defesa imediatamente. Depois tento voltar atrás. O que eu quero da vida? De mim? Por que eu não faço o que eu preciso? Eu procrastino, procrastino, procrastino e isso está me deixando doente. Estou doente de alma. E sei o remédio e não tomo e o deixo em cima do armário. Ah, darling, agora preciso pular um pouco na minha aula de jump pra esquecer todos esses pensamentos por alguns 45 minutos. De 45 em 45 minutos a gente vira um dia, uma semana, um mês e, de repente, passa. Não?
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